Entrevista: Michael Amott (Arch Enemy, Spiritual Beggars, ex-Carcass)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


Mais uma entrevista internacional exclusiva para o All That Metal. O músico que falou conosco dessa vez dispensa apresentações: Michael Amott. O guitarrista sueco deu início a sua carreira nos anos 80, tocando nas bandas Disaccord e Carnage. Mas foi em 1990, quando juntou-se aos ingleses do Carcass, que seu nome tornou-se mundialmente conhecido. Com a banda ele gravou os álbuns "Necroticism - Descanting the Insalubrious" e "Heartwork", dois clássicos absolutos do metal extremo. Acredito que se você está lendo essa matéria, nem preciso falar o quão importante e lendária essa banda é, certo? Após deixar o Carcass, Michael ainda teve uma breve passagem pelo Candlemass (1997-98), uma das bandas que ajudou a definir o Doom Metal como o conhecemos hoje.
Mas, obviamente, todos vocês também conhecem ele através de seu próprio projeto, o Arch Enemy, que ao longo dos anos tornou-se um dos maiores expoentes da música pesada. A banda foi formada em 1995, junto de seu irmão na guitarra, Christopher Amott, e o vocalista Johan Liiva. O Arch Enemy sempre caracterizou-se pela mistura perfeita entre peso e melodia, e mesmo com o chamado Melodic Death Metal saturado hoje em dia, a banda ainda mantem sua sonoridade totalmente única e diferenciada, quebrando os padrões desse sub-gênero. 
O Arch Enemy passou por algumas mudanças de formação ao longo dos anos, incluindo duas saídas de Christopher e a inclusão do baixista Sharlee D'Angelo (que tem passagem por Mercyful Fate, King Diamond, Sinergy e tantos outros) e o baterista Daniel Erlandsson, ambos em 1998. Mas foi com a chegada da vocalista Angela Gossow, que estreiou em "Wages Of Sin", de 2001, que a banda realmente explodiu na cena. Dona de uma voz incrivelmente brutal e agressiva, Angela não só foi parte essencial dessa grande evolução na música da banda, como também tornou-se a maior representante feminina do Metal Extremo. No lugar do irmão de Michael, hoje a banda conta com o americano Nick Cordle (ex-Arsis). 
Fora o Arch Enemy, Michael também integra a banda Spiritual Beggars, banda de Stoner Rock formada em 1992 pelo guitarrista. Além disso, ele também participou da turnê de reunião do Carcass, mas optou por deixar a banda (que atualmente está gravando um novo álbum de estúdio) para concentra-se exclusivamente em suas duas bandas principais. 
Na entrevista, Michael comenta sobre a mais recente turnê do Arch Enemy, divulgando o espetacular "Khaos Legions", lançado em 2011. Além disso, ele nos conta os planos futuros da banda, fala sobre a vida na estrada e responde uma dúvida do meu grande amigo e guitarrista da Dyingbreed, Lucas Cabral. O guitarrista também foi bem direto ao garantir que não pretende voltar a trabalhar com o Carcass. De quebra, ainda nos fala que o novo álbum do Spiritual Beggars está a caminho e revela, com exclusividade, que a banda pretende vir a América do Sul ainda esse ano! 


All That Metal: Como vai, Michael? Antes de mais nada, eu gostaria de perguntar sobre a recente turnê sul-americana. Especialmente a apresentação no Brasil. Como foi a recepção dos fãs? Vocês tem algumas gravações em vídeo dessa turnê para um futuro DVD, certo?
Michael Amott:
Eu estou bem, obrigado! A turnê latino-americana foi realmente incrível. Eu amei cada show. Realmente um ótimo momento de 2012 para mim. Nós temos fãs incríveis por lá - eu não posso falar o suficiente sobre eles, na verdade. Tão apoiadores e legais.

ATM: Até onde eu sei, o Arch Enemy agendou apenas algumas apresentações em festivais europeus para 2013. Então, quais são os planos para o ano que vem [a entrevista foi realizada em dezembro do ano passado]? Vocês já estão pensando sobre um novo álbum?
Michael:
Isso mesmo, o Arch Enemy vai apenas tocar algumas datas seletas em festivais europeus em 2013. Nós vamos estar trabalhando em um grande projeto de DVD/Bluray e também continuar escrevendo novo material para o novo álbum.

ATM: "Astro Khaos 2012 - Official Live Bootleg" foi recentemente lançado no Japão. Alguma possibilidade desse DVD estar disponível para o resto do mundo? E eu também gostaria de perguntar a você sobre essa relação especial que o Arch Enemy sempre teve com os fãs japoneses?
Michael:
Eu acho que o "Astro Khaos 2012 - Official Live Bootleg" vai permanecer exclusivo para o Japão. Mas, como eu mencionei, nós vamos lançar um novo DVD/Bluray e um CD/LP ao vivo da turnê de "Khaos Legions"... esse vai ser um lançamento mundial, com certeza. Os fãs no Japão estão conosco desde o dia um, do primeiro álbum e turnê que fizemos tem sido um apoio forte no Japão e tem apenas crescido através dos anos - é difícil de explicar e eu não analiso "por quê" nós temos uma conexão musical tão grande com os fãs de lá... nós estamos apenas felizes por isso.
 

ATM: Eu já vi Angela falando que a banda não pode permitir sequer uma data cancelada na turnê, porque é uma grande perda financeira para a banda. Então eu gostaria de saber, quais são as principais dificuldades que uma banda como o Arch Enemy tem de enfrentar hoje em dia na estrada?
Michael:
Pessoalmente, eu acho que nós temos muita sorte de ter uma base de fãs tão sólida pelo mundo, o que nos permite viajar e excursionar por muitos lugares legais pelo mundo e conhecer nosso público. É verdade que estar em turnê pode ser difícil, especialmente com todas as viagens que envolvem - mas eu sempre tento manter o foco nas apresentações e na energia positiva de tudo isso.

ATM: O Arch Enemy já esteve em turnê com várias bandas. Quais suas bandas favoritas para estar junto na estrada? E quais bandas você gostaria de excursionar mas nunca teve a chance?
Michael:
Ao longo da história do Arch Enemy nós fizemos turnês incríveis, abrindo para bandas como Iron Maiden, Slayer, Megadeth. Todas essas foram como sonhos que se realizaram, de certa forma. Nós somos muito próximos de uma banda chamada Nevermore e fizemos várias turnês com eles e isso foi realmente bem legal, nós temos grande respeito pela música deles.

 

ATM: Vamos falar agora sobre assuntos mais técnicos. Qual a principal diferença do equipamento que o Arch Enemy usou para gravar seus primeiros trabalhos para os álbuns mais recentes que vocês lançaram?
Michael:
Nós temos equipamentos melhores agora, e muito mais disso. Eu imagino que essa seja a maior diferença.

ATM: Qual o equipamento que você sempre leva consigo em turnê?
Michael:
Isso realmente depende de que tipo de shows são e onde eles são. Quando excursionamos pela Europa, nós temos nosso próprio backline armazenado na Alemanha, então nós temos todos os nossos amps e gabinetes conosco na turnê. Em datas que incluem vôos, como festivais e turnês na América Latina, por exemplo, eu trago um pequeno rack com um pré-amp digital com efeitos e meu wireless. Bem simples e direto. Não importa aonde, eu levo algumas das minhas guitarras signature da Dean - elas são minhas principais ferramentas que eu não posso ficar sem.

ATM: Eu tenho um amigo de uma banda de Death Metal que sempre afirma que você é a maior influência dele. Ele enviou uma pergunta: como foi escrever a canção "Fields Of Desolation"? Essa música tem uma estrutura realmente impressionante.
Michael:
Essa canção tem realmente uma estrutura legal e flui com um tema melódico que segue voltando na música. Foi escrita em 1995, na época que estávamos trabalhando nas músicas para o primeiro álbum do Arch Enemy, "Black Earth". Eu queria ter uma música no álbum que não fosse rápida e intensa, mas mais mid-tempo e com melodia. Eu acho que conseguimos isso muito bem com "Fields Of Desolation".
 

ATM: Falando em compor músicas, como você lida com o processo de composição de bandas tão diferentes como o Arch Enemy e o Spiritual Beggars?
Michael:
Isso acontece muito naturalmente para mim, eu não tenho problema separando os dois projetos. Eles são bem diferentes um do outro e eles satisfazem os dois lados de minha "alma musical", eu acho.

ATM: O que nós podemos esperar para o futuro do Spiritual Beggars?
Michael:
Na verdade, nós estamos mixando um novo álbum do Spiritual Beggars nesse exato momento. Nós vamos lançar em abril de 2013... nós vamos sair em turnê pela Europa em abril e nós estamos atualmente procurando fazer alguns shows na América Latina também!

 

ATM: Você tem uma discografia realmente extensa agora. Eu gostaria de saber se existe algum álbum em específico que você está muito orgulhoso e um álbum que você escuta hoje em dia e pensa que poderia ter soado melhor que o produto final?
Michael:
Eu nunca passo muito tempo escutando meus próprios álbuns, na verdade. Uma vez que eles estão completos e são lançados, eu já estou trabalhando em novas ideias musicais. Eu estou realmente feliz com todos eles, cada um deles representa um período da minha vida e mostra onde eu estava como músico naquele momento. Claro, algumas músicas/performances/mixagens ou o que for não ficam tão bons quando você espera... mas a vida é assim, eu posso conviver com isso tudo.

ATM: Eu preciso te dizer que "Heartwork" é o álbum definitivo do Carcass para mim, foi um grande impacto em mim quando eu tinha 13 ou 14 anos. E agora o Carcass está gravando um novo álbum. Alguma possibilidade de uma participação especial no álbum ou em apresentações futuras?
Michael:
Não, eu não estou mais envolvido com eles.

 

ATM: O vídeo de "Cruelty Without Beauty" lida com algo realmente importante, que é a crueldade com animais. Eu sei que Angela sempre apoiou esse ideal, então isso foi ideia dela ou é um propósito comum na banda?
Michael:
Foi eu e Angela que tivemos a ideia para a música e tema da letra. O vídeo também foi feito por nós mesmos com um grande amigo fazendo a edição. A banda inteira apoia a mensagem na música e no vídeo.

ATM: Michael, obrigado pela sua atenção! Sinta-se a vontade para mandar uma mensagem para seus fãs no Brasil.
Michael:
Eu gostaria de agradecer aos fãs brasileiros pelo apoio e por serem tão loucos quando vamos ao Brasil - é sempre tão divertido! Estou aguardando pela próxima vez!


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