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Destaques

Morbid Angel em Porto Alegre

Fique por dentro de tudo que rolou no show dessa lenda do Death Metal na capital gaúcha. Galeria de fotos com 54 imagens de Morbid Angel e In Torment.

Entrevista com Lindsay Schoolcraft, tecladista do Cradle Of Filth

Como ela entrou para a banda, relatos de sua primeira turnê com o COF e suas lembranças do show no Brasil.

Entrevista com Veronica Pasqualin, vocalista da Prophajnt

Uma conversa sobre o EP que a banda lançará em breve, as influências de Dio e uma faixa inédita com exclusividade para o ATM.

O Dio que talvez você não conheça

Uma matéria especial da nossa Semana Ronnie James Dio. Várias curiosidades sobre a vida e a carreira dessa lenda do metal.

Andre Matos em Porto Alegre

Review + galeria com 86 fotos do show histórico! Com direito ao "Angels Cry" tocado na íntegra.

sábado, 25 de maio de 2013

Kiss: os itens mais bizarros do merchandise oficial


Não é novidade para ninguém que o Kiss é muito mais uma empresa do que uma banda propriamente dita. Ao longo do tempo, inúmeros itens curiosos com o logo da banda foram vendidos, praticamente tudo que você pode imaginar já teve o nome Kiss estampado. TUDO mesmo!
Se você ainda tem alguma dúvida disso, confira nesse post uma série de imagens com alguns dos itens mais bizarros da empresa de Simmons e Stanley. Muitos deles ainda estão disponíveis através do loja oficial da banda (clique aqui para visitar a loja virtual) e outros tornaram-se raridades. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Review de CD: Alice In Chains - The Devil Put Dinosaurs Here


O Alice In Chains está de volta com um novo álbum para os seus fãs, "The Devil Put Dinosaurs Here", um dos lançamentos mais aguardados de 2013. O novo trabalho mantém o padrão de qualidade da banda, além de dar continuidade a constante evolução sonora que sempre foi uma característica do grupo. Pode-se afirmar que, de uma forma geral, é um álbum tão bom quanto o seu anterior, "Black Gives Way To Blue", lançado em 2009. 
Desde a primeira nota já podemos perceber que é um álbum repleto de canções pesadas e lentas, explorando uma faceta do Alice In Chains que talvez seja desconhecida por ouvintes ocasionais. O vocalista William DuVall esbanja talento com uma performance impecável, marcando de vez o seu nome na história da banda. Jerry Cantrell também participa com alguns backing vocals, numa perfeita sintonia com DuVall ao longo dos vários duetos presentes nas canções. Impossível não destacar também o ótimo trabalho nas linhas de guitarra, certamente o momento mais criativo da brilhante carreira de Cantrell. O time ainda conta com Mike Inez, um dos melhores baixistas da década de 90, e Sean Kinney mandando ver um peso na medida certa com seu kit de bateria. 

Top 5: Dia Nacional do Café


Hoje, dia 24 de maio, é o Dia Nacional do Café. Não poderíamos deixar essa data passar em branco, uma vez que todo o conceito do que é o All That Metal surgiu em uma noite com muito café, em setembro do ano passado. Sendo assim, preparamos esse Top 5 especial com canções para você degustar essa droga milenar que combina tão bem com cigarros. 

Cinemetal: Deep Purple na TV, Newsted ao vivo, Chthonic e Gothminister


O Cinemetal de hoje tem vídeos de:
  • O Deep Purple tocou a canção "All The Time In The World" no programa de TV alemão ARD Morgenmagazin. O recente lançamento da banda, "Now What?!", vendeu 4 mil cópias em sua primeira semana nos Estados Unidos, ficando na 155ª posição do Top 200 da Billboard.
  • Curioso para ver Jason Newsted ao vivo com sua banda solo? Veja o vídeo de "Soldierhead" gravado com duas câmeras durante uma apresentação em Chicago. 
  • O Chthonic acabou de liberar um vídeo para a canção "Sail Into The Sunset's Fire". Como bônus, incluímos também o vídeo de "Defenders Of Bú-Tik Palace", já que estávamos devendo esse vídeo aos nossos leitores, uma espécie de Matrix oriental cheio de efeitos de gosto duvidoso. As duas faixas fazem parte do novo álbum da banda de Taiwan, chamado "Bú-Tik" (que eu realmente espero que não signifique "boutique" em mandarim...). 
  • A banda norueguesa Gothminister já está virando cliente do Cinemetal. Mais uma vez, temos uma edição com a estreia de um novo vídeo deles. Dessa vez, é para a faixa "Someone Is After Me". Se alguém ainda não conhece o horror-gótico-industrial produzido pela banda, essa música pode ser um ótimo começo.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Interview: Lindsay Schoolcraft (Cradle Of Filth) [English version]

 

This is the first interview ever that we're posting especially for our readers all over the world. Plus, we would like to the take the oportunity to announce that a full English version of All That Metal is on the way right now. Sooner or later, a lot of other interviews will be also available in English, with musicians like Michael Amott (Arch Enemy, Spiritual Beggars, ex-Carcass), Pinche Peach (Brujeria), Charles Hedger (Mayhem, Imperial Vengeance, ex-Cradle Of Filth) and a lot more yet to come.

In early 2013, Cradle Of Filth announced a new member in their line-up. Lindsay Schoolcraft joined the band to perform keyboards and female backing vocals with the band. At that point, her name was not well known, but she conquested pretty fast the COF fans all over the world. Now many people are also saying that she is the best female singer to join the band since Sarah Jezebel Deva had to leave.
Back in november last year, James McIlroy was interviewed on All That Metal and I even took a message from him to the members of Moonspell. In march this year, Paul Allender shared a few thoughts with us. This time, we've decided to speak with Lindsay, so she can tell us her first experiences touring with COF. Lindsay is a very friendly and helpful person, really pleasant talk to her. For the first time she tells all the details of how she joined COF, some funny stories about the tour and remember the concert in Brazil.

Review de Show: Morbid Angel em Porto Alegre (21/05/2013) [+ galeria de fotos]


Texto: Paola Rebelo
Fotos: Tiago Alano

A noite de terça-feira, 21 de maio, foi memorável para os fãs de Death Metal de Porto Alegre. Morbid Angel se apresentou no Bar Opinião pela primeira vez na capital gaúcha como uma realização da Urânio Produtora. A turnê do quarteto conhecido como os "Reis do Death Metal" visa principalmente a divulgação de seu trabalho mais recente, o álbum "Illud Divinum Insanus", lançado em 2011.

Quem assumiu o palco antes da atração principal da noite foram os gaúchos da banda In Torment. Com Rafael Giovanoli e Alexandre Graessler nas guitarras, Dionatan Britto na bateria, Bruno Fogaça no baixo e Alex Zuchi atrás do microfone, a banda já possui 16 anos de estrada. O início do show de abertura foi por volta das 20h, começando com "Grotesque Defacement", seguida de "Labyrinth of Depravity", duas músicas que já foram suficientes para mostrar que o death metal brasileiro não está muito atrás do americano de Morbid Angel.


Depois de uma pausa para agradecer a presença de todos e apresentar a banda ao público, optaram por tocar faixas de seu segundo álbum, "Paradoxical Visions of Emptiness", "Elements of Sadistic Cruelty" e "Smashed Into Oblivion". O carro-chefe do In Torment, porém, foi a música que veio a seguir: "Into Abyssal Landscapes", do mini-álbum "The Flesh Gateway", que ganhou um videoclipe no início desse ano. Aparentemente, essa era para ter sido a última música dos gaúchos da noite, mas a empolgação do público do Opinião foi suficiente para fazê-los tocar mais três músicas. Com "The Flesh and the Spirit" e "Homicidal Cognitive States", In Torment encerra seu show, deixando um convite para a edição do Storm Festival desse ano, que vai acontecer na Embaixada do Rock, em São Leopoldo - RS. Mais informações aqui.

Durante a troca de equipamentos no palco para a banda principal, algo inesperado aconteceu. Não eram os roadies que estavam preparando e testando os  equipamentos por trás do telão do Opinião para o show do Morbid Angel, e sim os próprios membros da banda. E se antes eles estavam caminhando de um lado para o outro do palco com as luzes acesas e carregando instrumentos, pontualmente às 21h o palco estava montado, as luzes foram apagadas e o show havia começado.

"Immortal Rites", um clássico do primeiro álbum da banda, "Altars of Madness" (1989), foi a música escolhida para abrir a noite do Morbid Angel em Porto Alegre, seguida de "Fall From Grace", do álbum Blessed are the Sick, de 1991. Em um breve intervalo, o vocalista e baixista David Vincent cumprimenta o público da casa, e deixa claro que haviam muitas músicas a serem tocadas e aquele seria o foco da noite: "menos conversa, mais música", nas palavras do Evil D. Logo após, foi escolhida "Rapture", a faixa inicial do "Covenant" (1993), o álbum de death metal mais vendido da história, que vendeu mais de 127 mil cópias nos Estados Unidos. Voltaram ao Altars of Madness com a música "Maze of Torment".

A presença de palco e a habilidade dos membros do Morbid Angel é impressionante. Para qualquer um que tivesse dúvidas se o nova-iorquino Tim Yeung realmente era o baterista mais rápido do mundo, conforme foi eleito em 2006 na competição World's Fastest Drummer, sua performance nesse show quebrou conceitos com velocidade e destreza. Já o representante escandinavo da banda, o guitarrista Destructhor, passou o show inteiro estimulando o "seu lado" do público a gritar e cantar mais alto.

O frontman David Vicent merece um destaque especial. O baixista e vocalista da banda possui um desempenho sobre o palco como um ator que entra de corpo e alma em um personagem. Além de jamais deixar a desejar em suas técnicas vocais e tampouco no baixo, seus gestos, suas expressões e o modo como ele interage com o público são de uma teatralidade brutal que se encaixa perfeitamente com a proposta de Morbid Angel. Carismático ao seu próprio modo e bastante espirituoso, soube aproveitar os momentos certos para conversar e fazer brincadeiras com os fãs.

Se houve um momento em que o show perderia sua força, seria quando começassem a ser tocadas as músicas do novo álbum, "Illud Divinum Insanus", que foi rejeitado por uma grande parcela de fãs mais intransigentes de Death por conter traços de Industrial Metal. No entanto, Vicent fez bem seu papel em animar os fãs, e "Existo Vulgoré" foi tão bem recebida no Opinião quanto qualquer outra música do Morbid Angel. Antes de tocar "Nevermore", Vicent diz que aquela é uma canção para todos aqueles que não vão tolerar mais nada - "Mas não é Twisted Sister", brinca o baixista. A velocidade dessa faixa em especial retoma o "antigo" Morbid Angel e os vocalizes que podem ter desagradado aos fãs no álbum, no show foram mais uma oportunidade de interação com o público.

Para encerrar as músicas do Altars of Madness, eles tocaram a "Lord of All Fevers & Plagues" seguida de "Chapel of Ghouls", a principal música da noite. David Vincent alerta: "se você não conhece essa, você está na p*rra do lugar errado". Eis que surge o momento do guitarrista e membro fundador Trey Azagthoth protagonizar o show, com um solo que tinha tudo para se tornar arrebatador, mas teve suas asas cortadas antes que pudesse alçar voos mais altos. Em um piscar de olhos, o restante da banda estava de volta ao palco para continuar a música normalmente.

Seguido do solo que quase não aconteceu, eles investiram em duas faixas do álbum Domination. "Dawn of the Angry" foi seguida por "Where the Slime Live", um dos momentos mais intensos do shows. Logo após é tocada "Bil Ur-Sag", de um dos álbuns mais brutais da carreira do Morbid Angel, "Formulas Fatal to the Flesh", da época em que Steve Trucker assumia o lugar de David Vicent no baixo e vocais.  Também do "Domination", seguiu-se "God of Emptiness", antes de o show ser encerrado com a famosa "World of Shit", do álbum "Convenant".

Antes mesmo que o público tivesse tempo de começar seus gritos por bis, as luzes já se acendiam e o painel já havia sido baixado, indicando que a banda não voltaria ao palco. Foi um show relativamente curto, cujo término se deu às 22h em ponto, porém se fez valer pela sua intensidade e vigor. Os fãs de música extrema de Porto Alegre podem se dar por satisfeitos, pois uma noite como essa vai demorar a se repetir.

SET LIST

In Torment:

Grotesque Defacement
Labyrinth of Depravity
Elements of Sadistic Cruelty
Smashed into Oblivion
Into Abyssal Landscapes
The Flesh and the Spirit
Homicidal Cognitive States

Morbid Angel:
  
Immortal Rites
Fall From Grace
Rapture
Maze of Torment
Existo Vulgoré
Nevermore
Lord of All Fevers & Plagues
Chapel of Ghouls
Dawn of the Angry
Where the Slime Live
Bil Ur-Sag
God of Emptiness
World of Shit

Grave Digger: todas as informações sobre o show em Porto Alegre


Grupo alemão toca no dia 30 de maio na capital gaúcha, no Beco 203

Com a vinda do Grave Digger para a 15ª edição do Roça ‘n’ Roll, a Abstratti Produtora e a Cangaço Produções uniram forças para levar o grupo alemão ao sul do país. Antes de tocar no festival mineiro, a banda passará pela capital gaúcha para um show especial. O evento será dia 30 de maio, quinta-feira, às 20h, no Beco (Av. Independência, 936). A banda gaúcha Scelerata, que foi convidada especialmente para fazer a abertura, não poderá tocar. O motivo é um problema de logística, que deixou o grupo indisponível na data da apresentação.

Mesmo com o desfalque, a noite promete ser memorável. Essa, ao menos, é a expectativa do vocalista Chris Boltendahl, remanescente da formação original do Grave Digger:

- Estamos de volta após um longo tempo. Temos ótimas lembranças da primeira vez que tocamos em Porto Alegre e estamos esperando uma ótima noite de metal alemão.
A vinda ao Brasil integra a turnê do mais recente álbum Clash Of The Gods, mas a banda deve tocar clássicos de toda a carreira.
                    
Formado atualmente por Chris Boltendahl (voz), Axel Ritt (guitarra), H.P. Katzenburg (teclado), Stefan Arnold (bateria) e Jens Becker (baixo), o Grave Digger possui uma legião de fãs fieis. Com 20 álbuns no currículo e diversas turnês internacionais, o conjunto é considerado uma das maiores bandas de heavy metal do mundo. Formado em 1980 por Boltendahl, o grupo é representante da primeira fase do metal alemão que conquistou o mundo.

Após o show em Porto Alegre, a banda viajará para Minas Gerais. Em Varginha, cidade mineira conhecida em todo mundo pelo suposto aparecimento de um extraterrestre, o quinteto germânico será o headliner da edição comemorativa de 15 anos do Roça ‘n’ Roll. No domingo, dia 2 de junho, o grupo realizará o primeiro show acústico da carreira, no Manifesto Bar em São Paulo.

RESUMO DO EVENTO
GRAVE DIGGER EM PORTO ALEGRE
Data: 30 de maio, quinta-feira
Local: Beco 203 – Av. Independência, 936, Porto Alegre-
Site oficial: www.beco203.com.br/
Informações: (51) 3026-3602

Ingressos:
Primeiro lote: R$ 70,00 [ESGOTADO]
Segundo lote: R$ 80,00
Terceiro lote: R$ 90,00
Pontos de Venda
Online: www.ticketbrasil.com.br (em até 12x no cartão)
Lojas:
A Place (Centro Shopping – Rua Voluntários da Pátria, 294, loja 150)
Zeppelin (Galeria Luza – Rua Marechal Floriano, 185, loja 209)
Short Fuse (Shopping Total)
Sites:
www.abstratti.com.br
www.facebook.com/abstratti
www.twitter.com/abstratti
www.youtube.com/abstratti

Fonte: press release enviado pela Abstratti Produtora.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Entrevista: Lindsay Schoolcraft (Cradle Of Filth)

 

No início de 2013, o Cradle Of Filth anunciou que estava com um integrante novo em sua formação. Lindsay Schoolcraft foi chamada para assumir os teclados e vocais femininos na banda. Até então seu nome era pouco conhecido, mas seu talento conquistou muito rápido os fãs da banda. Tanto que, muita gente já considera ela a melhor vocalista a integrar a banda desde a saída de Sarah Jezebel Deva.
Em novembro do ano passado, James McIlroy foi entrevistado aqui no All That Metal e eu até levei uma mensagem sua para o pessoal do Moonspell. Já em março desse ano, foi a vez de Paul Allender dar as caras por aqui. Dessa vez, decidimos ir atrás de Lindsay para ela contar suas primeiras experiências na estrada como integrante do Cradle Of Filth. Lindsay é uma pessoa muito simpática e atenciosa, sendo muito agradável conversar com ela. Pela primeira vez ela conta em detalhes como entrou na banda, conta histórias engraçadas da turnê e relembra o show no Brasil. Confira!

UPDATE: atendendo um pedido feito pela própria Lindsay, disponibilizamos uma versão em inglês da mesma matéria.

My Dying Bride, Soror Dolorosa e a descaracterização da cena gótica


Atenção: essa matéria representa única e exclusivamente a opinião do autor. Da mesma forma, ela não é direcionada a nenhum grupo ou pessoa específicos. Existem 8 pessoas trabalhando no All That Metal, cada uma delas com sua própria opinião sobre o assunto. Quero deixar bem claro também que esse artigo não é nenhuma crítica as festas desse gênero que são realizadas em Porto Alegre e região (Gothik Night, Vampire Cabaret e Gotik Treffen). Até porque, sou frequentador de quase todas elas e boa parte de seus idealizadores são amigos próximos a qual tenho muito respeito.

Hoje vamos ter um post diferente no All That Metal. Colocamos dois reviews e um artigo dentro de uma única matéria. Por que isso? Antes de mais nada, vamos apresentar os trabalhos que foram resenhados. O primeiro deles é o novo EP do My Dying Bride, chamado "The Manuscript", banda renomada na cena e mundialmente conhecida por fãs de Gothic e Doom. Temos também um review de "No More Heroes", segundo álbum de estúdio do Soror Dolorosa, uma banda francesa de Gothic Rock/Coldwave. Partindo dessas resenhas, vamos abordar um tema que é pouco debatido hoje em dia, ou seja, a descaracterização da cena gótica como um todo e seu rumo em direção a um movimento híbrido.
Possivelmente você deve estar perguntando-se o qual a relação dos dois lançamentos avaliados com esse assunto. É muito simples: as duas bandas tem uma proposta bem simples e direta, soando autênticas com sua sonoridade que expressa de maneira eficaz os principios da subcultura gótica, com uma musicalidade obscura e abordando temas sombrios em suas letras. Em contrapartida, estamos assistindo a criação de uma amálgama entre o padrão do Gothic e sonoridades mais próximas do Industrial, criando uma grande confusão que passou a associar gêneros como o EBM (Electronic Body Music) a esse movimento. E antes que extremistas relacionados a essa nova subcultura neotribalista comecem a se manifestar, eu sugiro que leiam com atenção cada trecho dessa postagem.

Review de CD: Avantasia - The Mistery of Time


The Mystery of Time marca o retorno de Avantasia após três anos sem atividades em um álbum conceitual que conta a história de Aaron Blackwell. O jovem cientista agnóstico da era vitoriana é forçado a rever suas crenças e convicções profissionais conforme é obrigado a explorar as conexões entre o tempo, a ciência e Deus. A narrativa se divide entre doze faixas, sendo duas delas bônus, que colocam em destaque essa questão fundamental da humanidade entre ciência e fé.

Logo em "Spectres", a música de abertura do álbum, somos apresentados a uma nova voz no Avantasia, que no mundo do rock é um velho conhecido: trata-se de Joe Lynn Turner (Rainbow, Deep Purple, Yngwie Malmsteen). Turner também está presente na segunda faixa, "The Watchmakers' Dream", junto com o guitarrista Arjen Anthony Lucassen (Ayreon, Star One), em que a velocidade toma lugar da orquestra presente em "Spectres", e a força da sua interpretação no início dessa música é um dos pontos memoráveis do Mystery.

Em seguida, temos provavelmente a faixa mais popular do álbum, "Black Orchid", com Biff Byford (Saxon), outro calouro do projeto. É uma música que equilibra o sinfônico que o idealizador Tobias Sammet tanto adora com traços de heavy metal mais cru, o que gerou uma combinação interessante. Byford também canta com Sammet, Turner e Michael Kiske (Helloween, Unisonic) na faixa chamada "Savior in the Clockwork", uma das melhores do disco, além de a mais longa, com cerca de dez minutos de duração.

"Where Clock Hands Freeze", assim como "Dweller in a Dream", são as duas músicas desse álbum que fazem dueto entre Kiske e Tobias Sammet, duas vozes dentro do metal que já provaram casar perfeitamente em canções anteriores. Especialmente em "Where Clock Hands Freeze", Michael Kiske se sobressai para não deixar dúvidas de quem é a melhor performance em Mistery of Time com um agudo de causar inveja - sem falsete nem nada.

Um dos momentos mais pesados do álbum é a "Invoke The Machine", com Ronnie Atkins (Pretty Maids) e o guitarrista Oliver Hartmann, que também compôs a faixa "Where Clock Hands Freeze". Com um início agressivo, vocais rasgados e um refrão cheio de força, é o tipo de música que se encaixaria perfeitamente no topo da setlist dos shows do Avantasia nas próximas turnês.

Há apenas duas baladas em The Mystery of Time, o que para um álbum de metal é um número mais do que suficiente. No entanto, Tobias Sammet pisou na bola mais uma vez. Pra quem ainda não superou o trauma de "Carry Me Over", recomendo nem tentar ouvir "Sleepwalking", dueto enjoativamente pop que Tobias fez com a cantora alemã Cloudy Yang. Em "What's Left Of Me", Sammet compensou o erro da outra faixa, e ele e Eric Eric Martin (Mr. Big, Tak Matsumoto Group) conseguiram captar toda a agonia da letra em vocais limpos, porém densos.

"The Great Mystery" é, com toda a certeza, a música mais interessante do álbum. Com a presença do guitarrista Bruce Kulick (Alice Cooper, Lordi, Kiss), que também tocou nas faixas "Savior in the Clockwork" e "Black Orchid", e dos vocais de Bob Catley (Magnum), Joe Lynn Turner e Biff Byford, ela é inconstante, épica, muito orquestrada e com momentos bastante bem pesados. Todas as canções do Mystery of Time, uma a uma, evoluem sutilmente até chegarem a esse ponto, e a "The Great Mystery" seria o grand finale a fechar o álbum com chave de ouro.

Pela primeira vez em muito tempo, Tobias Sammet fez um álbum com uma história fechada, isto é, sem continuações ou discos sucessores, como no caso do Metal Opera I e II. Alguns podem ver isso como um retrocesso ou falta de ambição se comparado aos trabalhos anteriores do projeto musical alemão, porém é inegável o amadurecimento de Avantasia em relação à temática de sua narrativa e da evolução de seu instrumental desde o álbum Angel of Babylon.

Além dos artistas já citados acima, também participaram da composição The Mistery of Time o guitarrista, baixista e produtor Sascha Paeth, o tecladista Miro (Michael Rodenberg) e o baterista Russel Gilbrook. A orquestra que trabalhou com o Avantasia nesse álbum foi a Deutsches Filmorchester Babelsberg, da cidade de Postdam, na Alemanha, que já havia trabalhado com o Edguy no álbum Hellfire Club.


Tracklist:

1 - Spectres
2 - The Watchmaker's Dream
3 - Black Orchid
4 - Where Clock Hands Freeze
5 - Sleepwalking
6 - Savior in the Clockwork
7 - Invoke the Machine
8 - What's Left of Me
9 - Dweller in a Dream
10 - The Great Mystery

Bônus:
11 - The Cross and You
12 - Death is Just a Feeling (Versão Alternativa)


Nota: 4,5
 

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